Síntese da Oficina de Planejamento do FNRU
dias 08 e 09 de fevereiro de 2007 – Rio de Janeiro.
Local: Sindicato dos Engenheiros - RJ
Pauta:
1. Análise de conjuntura: Desafios para a implementação da reforma urbana no 2o governo Lula.
2. Discussão temática: (i) Saneamento Ambiental; (ii) Implementação do Sistema de Habitação de Interesse Social, Revitalização das Áreas Centrais e Assistência Técnica; (iii) Mobilizações; (iv) Conferência e Sistema Nacional de Cidades; (v) Gênero, Política Urbana e Direito à Cidade; (vi) Conflitos Fundiários e Prevenção aos Despejos; (vii) Relatoria Nacional pelo Direito à Moradia Digna; (viii) Estratégia Internacional do FNRU; (ix) Transporte e mobilidade.
3. Informes dos Fóruns Regionais.
4. Informes gerais, avaliação e encerramento.
I – Organizações Sociais da Coordenação do FNRU
Presentes:
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UNMP - União Nacional por Moradia Popular
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MNLM - Movimento Nacional de Luta por Moradia
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CMP - Central de Movimentos Populares
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CONAM – Confederação Nacional de Associações de Moradores
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FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
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Fundação Bento Rubião - Centro de Defesa dos Direitos Humanos
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Instituto Polis – Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais
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ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos
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CAAP – Centro de Assessoria à Autogestão Popular
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FENAE - Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa Econômica
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IBAM – Instituto Brasileiro de Administração Municipal
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COHRE Américas – Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos
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FNA – Federação Nacional de Arquitetos
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Fisenge - Federação Intersindical dos Sindicatos de Engenheiros
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IPPUR/UFRJ - Rede Observatório das Metrópoles
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Observatório das Políticas Públicas Urbanas do Paraná – Rede Observatório das Metrópoles
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Habitat para a Humanidade
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AGB - Associação de Geógrafos do Brasil
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CFESS - Conselho Federal de Serviço Social
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ABEA - Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura
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II – Fóruns e articulações regionais de reforma urbana presentes:
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Fórum Nordeste de Reforma Urbana
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Fórum de Reforma Urbana – Região Sul
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GT Urbano do FAOR – Fórum da Amazônia Oriental
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Fórum de Reforma Urbana da Amazônia Ocidental
III – Outras entidades presentes:
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OXFAM
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CESE
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Ong Terra de Direitos
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Cearah Periferia
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Fórum Estadual de Luta pela Reforma Urbana (RJ)
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Fórum Mineiro de Reforma Urbana (MG)
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Ong Ação Urbana
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Frente Nacional de Saneamento Ambiental – FNSA
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MDT – Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público
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MNLM Espírito Santo
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MNLM Pará
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UEMP – Go
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FRENAVRU – Frente Nacional de Vereadores pela Reforma Urbana
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MLB/RJ
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UNMP/RJ
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CMP/RJ
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FAMERJ
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FAMCC-Pi
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CEAP
IV – Total de participantes: 65 pessoas
V – Participantes: Regina Ferreira (FASE); Mauro Santos (FASE/RJ); Rossana Brandão (FASE); Krista Lillemets (Secretaria do FNRU); Benedito Barbosa (CMP); Valdilene Lima (CMP); Roseli (CMP); Evaniza Rodrigues (UNMP); Donizete (UNMP); Marcos Cosmo (UNMP); Wander Geraldo (CONAM); Veruska Franklin (CONAM); Gérson Brito (CONAM); Bartíria (CONAM); César (CONAM) Marcos Landa (MNLM); Antônio José (MNLM); Miguelzinho (MNLM); Edmar (MNLM); Ubiratan Felix (Fisenge); Orlando Junior (IPPUR/UFRJ – Rede Observatório das Metrópoles); Vinícius (Terra de Direitos/Fórum Sul); Nelson Saule (Polis); Patrícia Cardoso (Polis/ Relatoria Nacional dos Direitos Humanos); Kazuo Nakano(Polis); Leonardo Pessina (CAAP); Rosane (IBAM); Jair (FENAE); Tânia (CFESS); Emanuel (CEAP/FAOC); Loic Geronnez (Fundação Bento Rubião/FELRU); Francine (Fundação Bento Rubião); Valério (Fundação Bento Rubião); Ricardo Gouvêa (Fundação Bento Rubião); Sebastian (Cohre); Nazareno (ANTP); Ademar (Habitat para Humanidade); Maria de Lourdes (ABEA); Iramar (GT Urbano FAOR); Marcio Oliveira (FAOR); Edno Brito (FAOC); Marcos Carvalho (FAOC); Modesto (Fórum Sul); Adelmo (FASE/Fórum Nordeste); Josefa (FAMCC-Pi/Fórum Nordeste); Antonisa (Fórum Nordeste); Ângelo (FNA); Marquinhos (FNA); Édien (OXFAM); Mariângela (Cese); Joísa (Cearah Periferia/ Fórum Nordeste de Reforma Urbana); Grazia de Grazia, Marcelo Braga (CMP/RJ); Jurema (UNMP/RJ); Cláudio (UNMP/RJ); Lúcia (FAMERJ); Maria Clara (MNLM/ES); Pedro(MNLM/ES); Renato (Ação Urbana); Moniqui (CONAM); Joanita (UEMP/Go); Gerveson Silveira (FRENAVRU); Maria Dulce (MLB/RJ); Maria das Dores (MLB/RJ).
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Análise de Conjuntura
A análise de conjuntura contou com a participação dos(as) representantes dos movimentos sociais urbanos: Miguelzinho (MNLM), Wander Geraldo (CONAM) Donizete (UNMP), Valdelene Lima (CMP), e um representante da Amazônia, Edno, que fizeram uma breve análise dos desafios para a implementação da reforma urbana no segundo mandato do governo Lula.
Na sua exposição, Miguelzinho destacou os seguintes pontos:
- Na América Latina, podemos identificar um novo perfil de governo, socialista.
- No governo Lula ocorreram avanços, mas a forma de buscar governabilidade neste segundo governo dá continuidade ao primeiro mandato.
- Apesar das eleições terem produzido uma coalizão a partir de princípios, o início deste governo mostra que continuaremos a governabilidade na base da distribuição de cargos.
- Governo Lula não vem se pautando pela luta dos movimentos sociais. A governabilidade está sendo buscada a partir das pautas dos grupos políticos no poder.
- A Política de Reforma Urbana do governo Lula é fragmentada em programas departamentalizados. A política não é integrada. Não existe uma política de desenvolvimento urbano: o que observamos são “05 ministros das cidades” (habitação, saneamento, programas urbanos, transportes e o ministro). Política de Balcão de negócios.
- O Governo parece apostar na parceria com o Congresso, e não numa aliança com os movimentos sociais. Trata de forma departamentalizada as políticas. Governo busca governar a partir do parlamento.
- Desafios: MCidades foi o ministério mais aquinhoado com o PAC. Contudo, a maioria do recursos do PAC estão fora do FNHIS. Em 04 anos, estão previstos somente 8 bilhões para o FNHIS. Não haverá controle social. Problema sério que o FNRU terá que aprofundar. Necessidade de uma análise mais profunda sobre o PAC, criticando-o.
- O debate sobre o PAC deve vir para dentro dos conselhos.
Na sua exposição, Wander destacou os seguintes pontos:
- A Luta pela reforma urbana é parte da luta política, que envolve outro projeto de sociedade.
- É necessário comemorar os avanços: na América Latina, freio do neoliberalismo; no mundo, questionamento global dos pilares neoliberais.
- No Brasil, o governo Lula tem contribuído para este processo na América Latina, assim como os processos do FSM e o movimento mundial de questionamento do neoliberalismo.
- O amadurecimento político do país pode ser visto na superação da crise e da tentativa de desestabilização do país e do governo Lula pela direita.
- As eleições polarizadas do ano passado produziram o apoio das 4 entidades dos movimentos sociais urbanos à reeleição de Lula.
- Resultado das eleições: vitória ideológica contra o neoliberalismo no país (freio às privatizações).
- Presença ainda de forças conservadoras, mas identificamos avanços, como na Bahia, onde o povo derrotou a oligarquia política baiana.
- O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um programa de desenvolvimento para o país, o que reflete uma mudança política deste 2º governo. Tem problemas, e é papel dos movimentos cobrar e tensionar pelas mudanças e avanços.
- O controle social é real na área da saúde. Temos que fazer avançar na política urbana, no Conselho das Cidades.
- Só vamos avançar com o movimento popular. Temos que lutar contra a forma de fazer orçamento.
- Pauta no ano de conferência: temos que exigir que esta conferência dê um passo significativo no controle social efetivo através do Conselho das Cidades.
Donizete destaca que:
- As falas sobre a América Latina vão na mesma direção, apontando os avanços obtidos no continente.
- O voto popular dos países da América Latina indica o fim do neoliberalismo. A Mídia foi derrotada.
- Passo principal no próximo governo deverá ser investir na comunicação. O FNRU como movimento urbano tem que defender a defesa da comunicação democrática e aberta.
- Governo Lula: estratégia de desenvolvimento a partir do agronegócio. Temos que dialogar com movimentos sociais e temos que enfrentar este modelo.
- Na área urbana, mudam as questões: apesar da derrota nas eleições da tese da privatização, ela se mantém. Observamos a privatização das estradas, da infra-estrutura.
- Necessidade de controle social: políticas urbanas com participação popular. Governos não acreditam na organização social. Para avançarmos é necessário mobilização e garantir a autonomia dos movimentos.
- Eleições: voto popular mostrou que o povo é contra as privatizações. Temos que defender a não privatização e intervir nas agências de regulação para termos gente do nosso lado.
- Temos que ter canais de comunicação popular no nosso país, produzindo uma mídia ao lado dos movimentos populares.
Na exposição de Valdilene (CMP), os pontos destacados foram:
- O país tem uma dimensão continental o que implica em muita complexidade.
- As eleições representaram a derrota da mídia e a vitória do povo. O povo que votou é diferente.
- Avanços no primeiro governo, mas tudo ainda é muito pouco: ConCidades, conferências, etc.
- Temos que definir qual o desenvolvimento que nós queremos e exigir a democracia de fato.
- O conjunto de recursos do PAC devem ser discutidos com a sociedade.
- A burguesia não está morta e nossas ações estão pequenas. Temos que desenvolver nossas ações no campo institucional, mas fundamentalmente termos mobilização, para que 2007 seja um ano de vitórias.
Edno
- A criação do FAOC implicou na ampliação do movimento de reforma urbana.
- Governo Lula e movimentos populares: diálogo zero no primeiro momento. Segundo turno, diálogo. Necessário terceiro momento: implementação e articulação da política urbana.
- Necessidade dos movimentos pautarem o modelo de desenvolvimento.
- Na região amazônica tem que ser considerada sua especificidade regional e sua diversidade social complexa.
- A questão ambiental amazônica envolve biodiversidade, qualidade da água, exportação de animais, exploração mineral, uma realidade bastante específica da Amazônia.
- O governo vem implementando projetos de grande impacto socioambiental, como o Complexo do Rio Madeira, sem diálogo com a população e com o movimento de reforma urbana.
- Relação reforma urbana e reforma agrária: necessidade de diálogo e articulação do debate e dos movimentos. Na Amazônia, esta articulação é muito próxima, devido à realidade amazônica.
- Necessário o fortalecimento dos movimentos sociais a partir da reforma urbana.
Debate
- César (CONAM) destacou que o governo iniciou da mesma forma que o governo anterior, apesar do povo ter dado a vitória a Lula. O 2º turno possibilitou a radicalização do debate, avançando nas discussões. Ressaltou: a necessidade de articulação das políticas setoriais com a política de desenvolvimento urbano; a necessidade de articularmos os fóruns regionais e movimentos; a necessidade da participação nos conselhos para termos um governo democrático; a necessidade de estarmos nas ruas, lutando pelo controle social.
- Evaniza destacou que temos que nos articular mais para pressionar e ter mais incidência. O caminho é o da rua, portanto, temos que pensar como nos articulamos. Lembrou, também, que a questão municipal sumiu da pauta, com excesso de foco no governo federal. É preciso não perder o foco municipal. E, a nível federal, é necessário atuarmos não tão focados no MCidades. Necessidade de discutir a matriz energética, bolsa família, etc.
- Arlete: em todas as falas está presente a questão do governo. Necessidade de preparar as conferências com uma pauta do FNRU e não necessariamente do governo. Linguagem de luta e reivindicação.
- Marcos (FAOC) lembrou que o Amazonas é o 4º estado mais rico da federação. Programa de Igarapés de Manaus exemplifica a forma de tratamento que governo vem fazendo com a sociedade na Amazônia. Famílias são tiradas das cidades e são levadas para a periferia, sem infra-estrutura e sem debate; despejos diários são realizados nos igarapés, etc. Necessidade de discussão com a população, de articulação dos fóruns regionais e fórum nacional e pressão para discussão e debate sobre os programas em curso na Amazônia.
- Ângelo (FNA) relatou a avaliação da FNA quanto ao PAC: surge para arrumar a casa do governo; é um instrumento para dar visibilidade ao governo. Para permitir controle sobre as emendas parlamentares. Na área sindical, a avaliação é que o PAC é uma proposta de reforma e unificação da “ordem” e não unificação das lutas. Lembrou que 75% por cento do PAC são obras civis, sob controle de empresas.
- Nazareno (ANTP) avalia que o PAC exprime o discurso dos adversários. É necessário radicalizar na política social e na política ambiental. O PAC é um plano tático. Reforça a setorialização. Na área de transporte, o plano é metrô.
- Emanuel (CEAP/FAOC) aponta a necessidade de avançarmos no campo da formação de novas lideranças no movimento. Precisamos revitalizar os movimentos, fazer formação política de novos quadros. Necessidade de aprofundar a relação dos movimentos reforma urbana e do campo. Lembra o acirramento dos despejos e a necessidade de reação. Necessidade de constituição de assessoria jurídica aos movimentos. Complexo Madeira está inserido dentro do PAC o que representa uma política de retorno dos grandes projetos.
- Roseli (CMP) enfatiza que temos que discutir um projeto estratégico para o país. Atuar na CMS e em outros espaços. Lembra que a Carta Mundial da Cidade é articuladora. Como estamos presentes nos processos de avanços da América Latina? Cita a Assembléia Popular, onde quem representa o movimento urbano é a pastoral operária.
- Gérson (CONAM) informa que a CONAM já tem uma pauta de lutas e mobilizações para 2007. Instrumentos, garantimos no 1º governo (Fundo, leis, Conselhos). No 2º governo, temos que garantir nossos direitos através de pressão e mobilização. Lembra que a Plataforma de Prevenção aos Despejos foi colocada como proposta de uma boa prática para o próximo Fórum Urbano e que deverá ser instalada uma antena para denunciar nacional e internacionalmente as situações de despejo. Reafirma que o FNRU tem que articular as entidades e as lutas.
- Para Iramar (FAOC) o FNRU tem um papel no fortalecimento dos movimentos sociais. Para Amazônia, o PAC é uma desgraça. Projetos de infra-estrutura vão destruir a Amazônia. Não há, p.e., financiamento do transporte fluvial. Barragens, grande produção de grãos destruirão à Amazônia.
- Jair (FENAE) ressalta que com o PAC invertemos nossa luta. Antes do PAC, discutíamos como conseguíamos os recursos. Agora, vamos discutir como gastar os recursos. Estado reassumiu seu papel com o PAC, havendo, portanto, um avanço.
- Dito (CMP) afirma que o PAC recoloca o estado como matriz e indução. De Estado regulador como indutor. Contudo, não há controle social dos recursos do PAC. Dos 3 bilhões reivindicados para o FNHIS, ficaram 1,3 bi. A situação é grave na ponta. São Paulo é um exemplo. Tem que ter luta e por o povo na rua para podermos avançar.
- Bira (FISENGE) lembra sua análise de conjuntura: diversos cenários na eleição. Burguesia apostou em desestabilizar o governo Lula. Lula teve que buscar apoio dos movimentos sociais. Tinha que dar uma resposta: é o PAC. PAC dá sua resposta, um desenvolvimento econômico com neoliberalismo. PAC é uma aliança de classes, com um setor da burguesia (que quer crescer e ganhar dinheiro). Recursos para Habitação: aumento do número de empregos, mas aumento da especulação imobiliária. Papel do FNRU é fazer a disputa política. Temos que ser a favor do PAC e dar o conteúdo popular ao PAC.
- Veruska (CONAM) expressa sua preocupação com a necessidade de darmos foco na análise: governo e a questão da reforma urbana. O que fizemos, o apoio ao governo, valeu? Qual o impacto? A experiência de apoio no segundo turno trouxe o quê? Qual a análise política do PAC? Governo Lula é um governo em disputa. O PAC é um elemento de disputa? Vamos botar o bloco na rua com que pauta? Na reunião do dia 23 da CMS o FNRU vai estar lá? Quais as questões que vamos consensuar?
- Marcelo (CMP): Não podemos passar mais 4 anos falando que este governo está em disputa. Pela 1ª vez o povo elegeu Lula porque quis. O governo amplia a coalizão , perdendo mais uma vez a oportunidade de governar com o povo. Papel dos movimentos tem que ser o de estar na base para transformar, revolucionar.
- Marcos Landa (MNLM) pondera que tivemos uma vitória eleitoral, mas não uma vitória de classe, de conteúdo de classe. Exemplo: perdemos em SP. Qual a concepção/projeto do FNRU para a sociedade?
- Zefinha (FNeRu) relembra a necessidade da nossa discussão ir para além da pauta do governo.
- Edno (FAOC) informa que a Amazônia é o tema da Campanha da Fraternidade. As estruturas estão falidas; necessidade de mudança estrutural. A população organizada vai fazer a mudança. Temos que fortalecer nestes 4 anos os movimentos sociais de base e fazer o trabalho de base.
- Valdilene (CMP) retoma a necessidade de aprofundar a discussão política. Proposta para que na próxima oficina reservemos mais tempo para a análise de conjuntura. Aponta a responsabilidade coletiva de construir uma plataforma unificada.
- Donizete (UNMP) reforça a aposta na mobilização e informa que a UNMP tirou uma agenda de luta para abril. Consciência de que se não colocar o povo na rua, não teremos vitória.
- Wander (CONAM) relembra que o FNRU é um espaço de unificação e de diálogo. O PAC é um avanço. PAC é tático. Mas, vamos ter que resolver os problemas, na luta. Governo precisa continuar levando puxão de orelha.
- Miguel (MNLM) conclui lembrando que o espaço do FNRU é o espaço de identificar as convergências. O PAC reproduz o Avança Brasil do FHC (há obras que estavam no Avança Brasil). Concordância que ele avança na habitação e no saneamento, mas que temos que discutir a pauta que nos une e a mobilização.
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Discussão temática
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Os GTs formados apresentaram os subsídios preparados para a discussão. Em plenário foram realizados debates, emendas e aprovadas a estratégia do FNRU, bem como as atividades do FNRU em 2007, relativas a cada temática. Foram aprovadas estratégias nas seguintes temáticas: (i) Saneamento Ambiental; (ii) Implementação do Sistema de Habitação de Interesse Social, Revitalização das Áreas Centrais e Assistência Técnica; (iii) Mobilizações; (iv) Conferência e Sistema Nacional de Cidades; (v) Gênero, Política Urbana e Direito à Cidade; (vi) Conflitos Fundiários e Prevenção aos Despejos; (vii) Relatoria Nacional pelo Direito à Moradia Digna; (viii) Estratégia Internacional do FNRU; (ix) Transporte e mobilidade. Os subsídios referentes às temáticas Planos Diretores Participativos e Frente Parlamentar pela Reforma Urbana foram produzidos pelos GT’s, mas o debate teve que ser transferido para a próxima reunião do FNRU, em março.
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As estratégias do FNRU estão descritas nos documentos anexos.
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Na temática sobre saneamento ambiental, a atuação do FNRU deve permanecer fundada na parceria com a Frente Nacional de Saneamento Ambiental e com a Rede Vida, adotando-se quatro linhas estratégicas: (i) a promoção da Universalização do Acesso ao Saneamento Ambiental; (ii) a Participação Democrática na Gestão: os planos municipais de saneamento ambiental; (iii) e as Campanhas contra a privatização; e (iv) Fortalecimento da Rede Vida e das coalizões em torno da defesa da água e do saneamento ambiental. Na primeira estratégia, destaca-se a atividade de monitoramento do PAC quanto aos investimentos previstos na área de saneamento de forma integrada e articulada às demais políticas urbanas. Na segunda, além do monitoramento da implementação dos planos municipais de saneamento ambiental e da sua articulação com os demais planos (de HIS, PDP, etc.) está prevista a capacitação das lideranças para elaboração e discussão dos planos municipais. Na última, está previsto a construção da Plataforma Brasileira da Defesa da Água, em parceria com a Frente Nacional de Saneamento e a Rede Vida.
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Na discussão sobre a Implementação do Sistema de Habitação de Interesse Social, a Revitalização das Áreas Centrais e a Assistência Técnica FNRU foram tiradas como diretrizes de luta que: (i) os Conselhos Gestores dos Fundos sejam constituídos a partir do Conselho Estadual/Municipal das Cidades (ou seja, o Conselho das Cidades pode gerir o FNHIS); (ii) que os Conselhos que venham a gerir os Fundos de Habitação de Interesse Social, sejam constituídos a partir de uma audiência pública, com todos os segmentos da sociedade civil, sendo que a representação da sociedade civil seja no mínimo ¼ das vagas; (iii) que as leis que criam os Sistemas e os Fundos estaduais/municipais prevejam o acesso aos recursos pelas cooperativas e associações autogestionárias; (iv) que o PAC seja discutido no ConCidades e que o ConCidades atue no monitoramento do PAC e na discussão dos critérios de alocação de recursos nas áreas de habitação, transporte e saneamento; (v) que o ConCidades aprove resolução definindo como critério prioritário para a seleção das propostas dos governos estaduais e municipais, aquelas onde os recursos sejam alocados nos projetos de habitação de interesse social organizados pelas associações e cooperativas autogestionárias oriundas dos movimentos populares por moradia; (vi) que o ConCidades aprove resolução definindo o conteúdo mínimo para os Planos Estadual/Municipal de Habitação. Entre as atividades previstas para 2007, o FNRU tirou: (i) oficinas e Debates nos fóruns regionais sobre a implementação dos Sistemas e Fundos de Habitação de Interesse Social; (ii) a realização de uma oficina em torno da questão de revitalização das áreas centrais; (iii) a realização de uma oficina sobre Assistência Técnica.
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Sobre as mobilizações, o FNRU definiu: (i) que vai apoiar as mobilizações dos movimentos nos meses de abril, maio e junho, lançando a Carta Aberta à População pela Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade, assinada pelos movimentos e o FNRU. O GT deverá produzir para as mobilizações (a) Carta Aberta à População pela Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade; e (b) Jornal, enfocando os bloqueios para a reforma urbana no nosso país; (ii) que vai organizar a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Urbana e pelo Direito à Cidade de 2007 na primeira semana de outubro, instituindo no Dia Mundial do Habitat, o Dia Nacional da Reforma Urbana. O tema da prevenção aos despejos deverá estar presente na jornada. A jornada deverá conjugar mobilização com processos de formação e qualificação dos movimentos para o debate sobre o direito à cidade.
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Na temática sobre as Conferências das Cidades e o Sistema Nacional das Cidades, o FNRU definiu as seguintes estratégias e propostas: (i) cobrar a realização da Conferência das Cidades no final do 2007, cujo tema já foi definido: “Construindo a gestão democrática das cidades”; propor como sub-temas: a) articulação e integração das políticas urbanas na construção do Sistema Nacional das Cidades; b) articulação e integração das 3 esferas: federal, estadual e municipal; e c) participação popular e controle social (temas deverão ser discutidos a partir da construção do Sistema Nacional das Cidades e no diálogo com o PAC); (ii) definir estes tema e sub-temas como os temas do Encontro Nacional do FNRU, a ser realizado em 2007; (iii) elaborar o texto base para o Encontro e para a Conferência.=
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Quanto à superação das desigualdades de gênero nas cidades e construção as políticas afirmativas para as mulheres nas cidades o FNRU propôs as seguintes estratégias e atividades: (i) diálogo e articulação do FNRU com organizações feministas para elaboração de plataformas de reforma urbana para a Conferência das Mulheres (julho) e para incorporar a dimensão de gênero na plataforma para a Conferência das Cidades (novembro); (ii) realização, pelos fóruns locais/regionais, de oficinas preparatórias às conferências, em articulação com organizações feministas locais, incorporando a dimensão de gênero nas plataformas para as conferências (ou, ainda, elaboração de plataformas estaduais/municipais específicas para a questão de gênero); (iii) sensibilização interna e externa sobre a questão de gênero, reforma urbana e direito à cidade: incorporando a dimensão de gênero nos documentos e ações do FNRU, divulgando subsídios para o debate sobre gênero e o direito à cidade, elaborando boletins e difundindo a Carta Mundial pelo Direito à Cidade.; (iv) entidades do movimento de reforma urbana devem buscar ser protagonistas na construção da igualdade entre homens e mulheres, estimulando debates, formação e capacitação dentro das instituições para a transformação da cultura institucional, garantindo a participação paritária entre homens e mulheres na coordenação, nos seminários, na representação dos conselhos, etc.
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No debate sobre os conflitos fundiários, o FNRU definiu para o 2007 as seguintes atividades e estratégias: (i) atuação no Congresso Nacional para alterações na legislação (Código de Processo Civil) propostas pela Plataforma de Prevenção aos Despejos; (ii) realização de seminários estaduais, urbanos e rurais, através dos fóruns regionais e com apoio do FNRU; (iii) organização da estrutura e procedimentos de mediação de conflitos urbanos no âmbito do Ministério, dos Estados e Prefeituras através de resolução do CONCIDADES que subsidie diálogo com Corregedoria Estaduais de Justiça para definição de provimento de prevenção aos despejos; (iv) divulgação da Plataforma de Prevenção de Despejos e as Resoluções aprovadas pelo Conselho Nacional das Cidades e divulgação internacional da Plataforma em conjunto com a Carta Mundial do Direito à Cidade; (v) acompanhamento pelo GT Prevenção aos Despejos do FNRU das discussões nos GTs do governo federal e repasse das informações à rede do FNRU; (vi) levantamento dos conflitos urbanos pelo IPPUR e pela secretaria de FNRU; (vii) mapeamento de vitórias em áreas de conflitos pelo GT de Prevenção aos Despejos do FNRU.
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Quanto à Relatoria Nacional pelo Direito à Moradia, as estratégias e atividades para 2007 incluem: a criação de GT para definição (a) das Linhas de ação para 2007/2008; (b) da estratégia do FNRU para o projeto Relatores; (c) de uma composição do FNRU para o próximo mandato. O GT de Prevenção aos Despejos ficou responsável por construir uma proposta para a reunião da relatoria nacional para o direito à moradia e aprofundar o debate na coordenação do FNRU.
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Na temática de Transporte, Mobilidade e Acessiblidade, o FNRU definiu como estratégias manter como referência os pontos definidos pela Plataforma da Reforma Urbana para a Campanha Olho no seu Voto e os eixos básicos do MDT, expressos em cinco estratégias e suas propostas correspondentes: (i) Barateamento das tarifas; (ii) Recursos permanentes para a mobilidade; (iii) Paz no Trânsito; (iv) Acessibilidade; e (v) Qualidade Ambiental na Mobilidade. 03 pontos principais deverão ser incluídos na plataforma a ser construída para o processo de mobilizações: (i) Gratuidade para desempregados e passe livre para estudantes; (ii) barateamento das tarifas; (iii) tarifa única na região metropolitana. Quanto às atividades da capacitação, o MDT está em parceria com o Instituto POLIS e apoiado pelo FNRU se estruturando para realizar oficinas de capacitação de lideranças dos movimentos sociais em 5 capitais do País em 2007.
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Informes dos Fóruns Regionais e encaminhamentos:
FAOC e FAOR
- 2 a 4 de março: Encontro do Fórum Popular de Roraima.
- Abril: em Roraima será realizada a Marcha da Reforma Urbana e Reforma Agrária.
- Oficina preparatória ao Encontro das Cidades da Amazônia, no 1º semestre.
- Construção de uma plataforma da Amazônia para a Conferência Nacional das Cidades, durante realização, em agosto, do Encontro das Cidades da Amazônia.
- Encontro das Cidades da Amazônia, em agosto.
- FAOC e FMRU deverá realiza o 1º Encontro da Reforma Urbana. Proposta de Criação do Fórum de Reforma Urbana do Estado do Pará.
- Proposta de realização de um Seminário Regional de Prevenção aos Despejos.
- Foi feito convite ao FNRU para realização de uma oficina do FNRU na Amazônia.
Encaminhamentos
- O FNRU vai assumir o tema da Amazônia como um tema estratégico.
- Deverá ser feito o monitoramento do PAC quanto à questão amazônica.
- Deverá ser criado GT para elaboração de projeto até final de fevereiro para o Encontro das Cidades da Amazônia: FAOR/FAOC e FNRU (AGB, FASE/Amazônia, Rede Observ. Metrópoles, COHRE, Miguel/MNLM).
- Deverá ser elaborado pelo FAOR/FAOC um documento com a crítica ao PAC quanto à questão amazônica, para ser incorporado ao Boletim do FNRU sobre o PAC.
FORUM NORDESTE
- Realizou oficina de planejamento de atividades para 2007, no final do ano passado.
- Entre as estratégias tiradas para 2007, estão: (i) discutir plataformas de reforma urbana com os novos governos estaduais; (ii) estimular e buscar criar Frentes Parlamentares pela Reforma Urbana, nos estados e municípios.
- Está programada para o 1º semestre: Oficina Gênero e Reforma Urbana, em Natal.
- Está programada uma Oficina sobre Regularização Fundiária, no Piauí, no primeiro semestre.
- Foi feito convite ao FNRU para o nordeste sediar uma futura oficina do FNRU.
FÓRUM SUL
- O último Encontro realizado do Fórum Sul foi em 2005. Há previsão de realização de Encontro este ano.
- O Fórum Sul este envolvimento com a Campanha dos Planos Diretores Participativos.
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Informes Gerais:
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Rossana Brandão está saindo da secretaria do FNRU, indo trabalhar como educadora do Programa Regional Rio de Janeiro, da FASE. Em seu lugar, Krista Lillemets inicia as atividades na secretaria.
Responsável pelo relatório – Regina Ferreira
Secretaria do Fórum Nacional de Reforma Urbana
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